quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A carne é fraca

"E sentada na sacada, após meditar por longos quinze minutos, reflete: a carne É fraca. Frente à essa fragilidade, temos ainda que demonstrar força. Buscar ser fortes de qualquer maneira. Até que, chega uma hora em que, se essa fortaleza não é real, tudo desaba: você, no choro, na falsidade ideológica em que andava vivendo. Cai de boca nessa felicidade que é saborosa, mas pode acabar a qualquer minuto.
Prometi que nunca mais, e aqui estou eu: talvez feliz, um pouco confusa, mas com uma adrenalina e um sentimento inexplicável dentro de mim. Por mais que não valha nada. Por mais que tudo seja passageiro. Que passe, mas que marque; pra sempre. Apenas ele tem o sorriso que consegue desfazer qualquer escudo sólido que construí, meses à fio. É ele quem me tira o sossego, e devolve quando necessário. Que não é clichê, e filosofa sobre como mulheres ficam feias com o cabelo curto, e o quanto tudo o que lemos, se formos pensar, se encaixa na nossa vida, no nosso momento. Mesmo sem saber, é o tal quem me faz rir sozinha vendo algo, e pensando em lhe contar mais tarde. Ou que, quase me faz jogar no lixo a cartilha em que descrevi meus princípios, com a sua eloqüente capacidade de convencimento. Lobo em pele de cordeiro, sedento também pela mesa aqui posta. Conversa comigo sob travesseiros, e uma janela onde chove, e podemos escutar gritos da torcida do meu time. E que mesmo nessa confusão toda, esse caminho sem placas, e sinalizações, sigo; pode ser cega, ou emotiva, mas vou indo. Me perdendo, consumindo. Deixando queimar. Nem minha mãe, ao me ver chegar em casa, me viu tão feliz e desmaquiada. É a saudade morta, explico. Ficou aqui em mim, e destruiu base, pó, e rímel. A carne é fraca, ou a fraqueza está dentro de mim, e dessa minha cabeça confusa, em uníssono ao meu coração enorme? Eu só quero felicidade, e cumplicidade. Tentei em outros seres, e desculpa, não consegui. Você sabe que é capaz de me fazer largar o mundo, a minha tão almejada estabilidade, pra entrar nas curvas sinuosas e inesperadas, que é a sua vida. Novamente. E se preciso, de novo, e de novo. Fingindo ser a primeira vez; jurando não ser a última. Se diz você, que te enlouqueço, esqueci eu de confimar e dizer que, você também tem o poder de me deixar doida. E tenho apenas a te agradecer por isso. Se a carne é fraca, não há mesmo muito o que fazer. É química, explosão, necessidade. Então, como não participar feliz do banquete, desse churrasco apetitoso? Me delicio, e penso: que seja louco, mas que dure. Vocação pra vegetariana: zero. Deus me deixou cair em tentação. E tem me livrado do mal. Amém!"


Camila Paier
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Um comentário:

Thayna Dreams disse...

Muito bom o texto! Me identifiquei em varias partes! Parabens