sexta-feira, 6 de agosto de 2010

blame me

Não tinha lugar que se sentisse confortável o bastante pra descansar e deixar que o acúmulo de dúvidas em seu peito fosse despejado como uma cachoeira.
Cansava controlar sentimentos, ser fria. Falar sempre as mesmas coisas e não querer falar de mais nada depois que a conversa a saturava.
Doava aos poucos o que tinha restado de bom no grande coração.
Importava-se pouco com as pessoas amadas ( não porque não as amasse, mas pelo simples fato de saber que elas ficariam bem, afinal) .
Encontrava poucas résteas do que fora um dia, puro sentimento pulsante, era só isso.
Sofrer demais abriu frestas cerebrais e não tinha mais como consertar.
Definir-se em algo vivente - mesmo que sentisse algo adulto o bastante pra esquecer o passado - não conseguia encontrar a razão de tudo permanecer ruim.
A melancolia; Ironia; A Sujeira.
Existia a linha tênue entre as três. Mesclavam-se em determinadas ocasiões. E faziam com que aquele rosto frágil - e aquela voz macia - se transformasse em algo horrendo, grosso e sem nenhum pingo de remorso por tudo dito. Por nada ter dito.
Mas o interior continuava tranquilo, intacto , cinza e vermelho.
Mais vermelho que cinza.
O mais forte começara a ganhar seu espaço.
E tudo ia embora ao seu lado. Só as mãos macias em suas orelhas e os sussuros vis.
Ela adorava aquilo nele.




Tifany Dimytria

Um comentário:

Stela disse...

Achei seu blog por acaso, e nossa! Gostei muito, vc escreve com mta profundidade!Gostei de verdade! estou seguindo este blog já!