segunda-feira, 7 de setembro de 2009

detestáveis ou incontestáveis? [3]

As noites não eram tranquilas desde que Gabryel se fora.
Mas até com isso, Brendha havia se acostumado.
Seria mais um noite, como todas as outras, os mesmos pesadelos de sempre, os mesmos devaneios, as mesmas falsas promessas que tanto lhe atormentavam.
Aquela noite guardava algo diferente, algo que ela estava muito próximo de descobrir.
"Meu Deus, por favor, não me deixe assim!" - Brendha gritava.
Acordou aos gritos, sem saber direito o que se passava, quando se deu conta percebeu que seu rosto estava inundado em lágrimas, todo o seu corpo doia como se um prédio tivesse caído em cima, não sabia o que fazer, se gritava afim de que aquela dor pelo menos amenizasse, se levantaria e iria atrás de ajuda. Foi então que percebeu que não importava, ela tinha perdido o movimento das pernas, ainda as sentia, mas não conseguia movê-las de maneira alguma. Brendha só conseguia chorar e implorar misericórdia, como tinha escolhido viver sozinha, isolar-se do mundo, era óbvio que ninguém apareceria para ajudá-la, ou pelo menos, pra fazâ-la sentir-se melhor, no que lhe pareciam seus últimos minutos de vida.
Brendha lembrou, então, dos pedidos que fazia, todos os dias: "Pai, por favor, me leva daqui, aqui não é meu lugar..." - Implorava pra Deus, nas suas preces mais íntimas.
Parece que Deus finalmente tinha resolvido lhe atender. Ela deveria ficar grata, então.
O seu pedido mais sincero durante os últimos meses, aparentemente, seria atendido.
E ela estaria livre...
"Meu Deus, me perdoa, eu não consigo viver, mas não quero morrer." - Brendha agora gritava com tudo o que ainda lhe restava.
A dor, sua companheira fiel, agora parecia que estava alí, ao seu lado.
Esse mal-estar físico que ela tanto falava, agora se fazia mais presente do que qualquer outro dia.
Ela sentiu o remorso tomar conta do seu corpo, como se aquilo, nunca mais tivesse como ser reparado. Provavelmente não seria.
"Meu Deus, me perdoa, eu não consigo mais viver, mas não quero morrer." - Suas últimas palavras.
Brendha estava desacordada, ninguém sabe se isso duraria pra sempre.

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