terça-feira, 4 de agosto de 2009

Contos: detestáveis ou incontestáveis? [2]



De repente Brendha sentiu aquele arrepio assustador... novamente.
O flagelo que havia se tornado estava deixando-a louca. Como se um zumbi tivesse tomado seu corpo para sí, e desde então, a transformara em sua escrava eterna.
Na verdade, isso acontecia especialmente quando ela dormia... Durante o dia ela tentava a todo custo controlar seu instinto, e na maior parte do tempo conseguia fazer isso, com sucesso, até.
Mas durante à noite, tudo se tornava bastante real...

...

Só que nessa noite tinha algo mais diferente, mais assustador...
O rosto coberto que sempre lhe atormentava, desta vez estava à mostra. O que mais lhe sufocava, é que ela não conseguia vê-lo, ele mantinha-se longe, afim de que ela não pudesse reconhecê-lo...
Enquanto ela corria de seu caçador, pensava no quão frustrante sua vida tinha sido, nas coisas erradas que tinha feito, pensava que deveria ser exatamente por isso, este seria mesmo seu fim...
Brendha corria em direção ao nada, tudo lhe parecia igual demais, achando assim que estava correndo em círculos... que estava fugindo em vão.
Durante a caçada, ela lembrou também dos momentos felizes, falsos, porém felizes.
Ela achava que assim, poderia encontrar algum conforto no que com certeza, seriam seus últimos momentos de vida... Ela percebeu que seu passo estava ficando mais lento, já não encontrava tanta força pra fugir como no início... Isso a fez chorar, ela não poderia desistir... Embora não fizesse sentido algum tentar escapar, ela não poderia entregar-se tão fácil. Ao mesmo tempo sabia que não aguentaria muito, e que logo logo, estaria sendo devorada pela fera que a perseguia...

...

Quando finalmente desistiu, sem ao menos saber a hora que havia caído, sangrando, suja pelas folhagens, chorando... abriu os olhos novamente e viu que a fera que lhe perseguia, na verdade era quem há tempos lhe acompanhou... De repente, não era mais terror, aflição ou... medo.
Gabryel voltara...

...

Finalmente mais uma noite havia passado, ela tomaria controle mais uma vez, afinal, era dia... Pelo menos por algumas horas, ela estaria livre novamente... até que outra noite chegasse.

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